Manoela Furtado
O porão. Na umidade silenciosa da casa movente, esse é local onde habitam inúmeros corpos inanimados: objetos envoltos de histórias. Entre Ijuís e entre chuvas vertentes durante a semana inteira, inundaram novos contos. Narrativas criadas a partir do que me foi oferecido participar.
Objetos de olhar. Olhar para objetos que se abrigam - tanto da água quanto do esquecimento - no porão da Oficina. Ali, a liquidez da torrente inesperada não liquidou a memória da vida dessas peças, que eu observava atenciosamente )
O convite para ocupar esse espaço, em conjunto do acúmulo de seus materiais residentes, armazenam minha compreensão de cuidado e amor. Olhar para e através destes objetos é, além de um modo de resgatar o decurso de tempos passados, uma ação que intenta tornar visível a valia de alguma coisa que se faz útil, precisamente, por conta da sua (aparente) inutilidade.
Talvez, meu estar nesta Residência equipare-se a uma lupa de olho, cuja lente aumenta uma realidade tantas vezes despercebida - embora sempre presente. E, com auxílio dessa pequena lente de relojoeiro, consegui observar a imensidão.
Efe Godoy
O porão. Na umidade silenciosa da casa movente, esse é local onde habitam inúmeros corpos inanimados: objetos envoltos de histórias. Entre Ijuís e entre chuvas vertentes durante a semana inteira, inundaram novos contos. Narrativas criadas a partir do que me foi oferecido participar.
Objetos de olhar. Olhar para objetos que se abrigam - tanto da água quanto do esquecimento - no porão da Oficina. Ali, a liquidez da torrente inesperada não liquidou a memória da vida dessas peças, que eu observava atenciosamente )
O convite para ocupar esse espaço, em conjunto do acúmulo de seus materiais residentes, armazenam minha compreensão de cuidado e amor. Olhar para e através destes objetos é, além de um modo de resgatar o decurso de tempos passados, uma ação que intenta tornar visível a valia de alguma coisa que se faz útil, precisamente, por conta da sua (aparente) inutilidade.
Talvez, meu estar nesta Residência equipare-se a uma lupa de olho, cuja lente aumenta uma realidade tantas vezes despercebida - embora sempre presente. E, com auxílio dessa pequena lente de relojoeiro, consegui observar a imensidão.