Tuane Eggers + Beto Mohr
Oficina: Contemplar as ínfimas grandezas | 2025

Realizada no Sítio Arqueológico de São João Batista, a oficina Contemplar as ínfimas grandezas prolongou a investigação desenvolvida por Tuane Eggers durante a residência em parceria com o biólogo Beto Mohr. Estudantes e professores foram convidados a observar o território em outra escala, utilizando lentes macro acopladas a telefones celulares para explorar as superfícies das pedras, da vegetação e dos pequenos organismos presentes entre as ruínas.

As imagens produzidas durante a caminhada eram compartilhadas entre o grupo, formando um mapeamento coletivo de formas de vida muitas vezes imperceptíveis ao olhar cotidiano. Mais do que apresentar um recurso técnico, a experiência propunha um deslocamento da própria observação, fazendo com que cada descoberta ampliasse também a percepção dos demais participantes sobre aquele lugar.

Paulo Nazareth
Obra participativa: MAMA – Monumento à Mãe do Mundo | 2025

Durante a residência, os encontros com grupos escolares passaram a integrar diretamente o MAMA – Monumento à Mãe do Mundo, trabalho de Paulo Nazareth construído a partir de desenhos de mães feitos de memória. Cada participante recebia uma folha previamente carimbada, onde registrava informações como nome, idade, cidade e nome da mãe, e era então convidado a desenhá-la. Em pequenas conversas, Paulo estimulava lembranças de rostos, gestos, marcas e maneiras de olhar ou sorrir, deslocando o desenho da habilidade técnica para a experiência da memória.

Não havia borracha: aquilo que surgia no papel permanecia como parte do processo. Enquanto os desenhos eram realizados, conversas sobre memória e afeto atravessavam as mesas e, com os grupos menores, cantigas e brincadeiras também preparavam o encontro. Incorporados ao arquivo do MAMA, os desenhos ampliavam uma obra que se constitui a cada nova participação, reunindo diferentes histórias e geografias em torno da figura materna.

Claudia Hamerski
Oficina: Do Traço ao
Território | 2025

A oficina Do Traço ao Território partiu do desenho como forma de aproximação com a paisagem. No Sítio Arqueológico de São João Batista, Claudia Hamerskiconduziu os estudantes pela trilha ecológica, propondo exercícios de observação, desenhos rápidos e frotagens de pedras, troncos e outras superfícies. Mais do que representar corretamente aquilo que viam, os procedimentos convidavam a perceber linhas, texturas, relevos, sombras e transformações que muitas vezes escapam a uma observação imediata.

Em um segundo encontro, realizado no espaço escolar, o mesmo procedimento assumiu outra forma. Folhas, flores, galhos e outros elementos vegetais recolhidos no pátio foram utilizados em experimentações gráficas, impressões, sobreposições e composições coletivas. A paisagem, antes percorrida e observada diretamente, retornava assim à sala de aula transformada em matéria para o desenho.

Laryssa Machada
Oficina: Fabular guerreirxs, ficcionar a terra | 2025

Na oficina Fabular guerreirxs, ficcionar a terra, Laryssa Machada compartilhou com os estudantes um procedimento que atravessava sua própria pesquisa durante a residência. Redes, papéis, celofanes, fitas, embalagens metálicas e outros materiais cotidianos foram reunidos sobre uma grande mesa para a construção coletiva de trajes destinados a imaginar entidades ou guerreiros comprometidos com a defesa de um território.

Tomando o corpo como suporte, os grupos combinaram volumes, texturas e materiais em composições próximas da escultura, da performance e do figurino. Ao serem fotografados nos arredores da escola, esses personagens passaram a se relacionar com a paisagem local. Um canavial recentemente atingido pelo fogo entrou nas imagens e deslocou a fabulação para questões presentes naquele território, fazendo surgir guerreiros ligados também à proteção das formas de vida e da paisagem.

Marcio Harum
Roda de conversa no NEABI/UFFS – Campus Cerro Largo | 2025

Durante sua residência curatorial, Marcio Harum aproximou-se de pesquisadores que já desenvolviam investigações sobre o território missioneiro em outros campos de conhecimento. O encontro com a pesquisadora Bedati Finokiet, vinculada ao Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Cerro Largo, colocou em diálogo questões relacionadas à arte contemporânea, patrimônio, cultura Mbyá-Guarani e transmissão de saberes.

A interlocução levou a residência até a UFFS, em Cerro Largo, onde foi realizada uma roda de conversa com pesquisadores e estudantes vinculados ao NEABI. O percurso incluiu ainda uma visita ao Museu 25 de Julho, conduzida pelo historiador Guido Hentz, e à Casa de Barro, construída na universidade em colaboração com a comunidade Mbyá-Guarani. Ao conectar universidade, museu, pesquisa e território, o encontro ampliou geograficamente o campo de relações da Casa Movente para além de Entre-Ijuís.