Marcio Harum
Curador residente | 18 a 29 de outubro de 2025
A residência de Marcio Harum foi concebida como um espaço de pesquisa curatorial, sem uma função prévia de avaliação ou legitimação dos processos desenvolvidos pelos artistas. Durante sua permanência, o curador percorreu diferentes pontos das Missões e retomou uma experiência iniciada em sua primeira visita à região, ralizada em 2004. As visitas aos sítios arqueológicos e as conversas com interlocutores locais conduziram sua pesquisa às transformações históricas das fronteiras e à compreensão do território missioneiro como uma zona atravessada por fluxos que antecedem as atuais divisões entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Sua presença também criou um intervalo de reflexão sobre a própria Casa Movente. Em diálogo com os processos dos quatro artistas residentes, Marcio participou das conversas sobre seus desdobramentos expositivos e sobre possibilidades futuras para o programa. A experiência deu origem ao ensaio Rocha em fronteira movente, publicado no livro Casa Movente, no qual o deslocamento pessoal do curador se cruza com as diferentes temporalidades e geografias das Missões.
Paulo Nazareth
15 a 25 de setembro de 2025
Durante sua residência, Paulo Nazareth desenvolveu uma pesquisa vinculada aos deslocamentos, às rotas e às diferentes camadas históricas do território missioneiro. Descalço durante toda a permanência, percorreu caminhos entre Entre-Ijuís e o Sítio Arqueológico de São João Batista, incluindo a antiga estrada de terra que conecta os dois lugares. A caminhada tornou-se um modo de conhecer o território, fazendo do próprio percurso — anterior às ruínas — parte da pesquisa.
Na Oficina Escobar, dois processos se articularam a partir dessa experiência. MAMA – Monumento à Mãe do Mundo reuniu desenhos de mães feitos de memória, construindo uma cartografia afetiva de origens e pertencimentos. Já o CEEJA – Centro de Estudos e Experimentos com Jardins Autônomos surgiu do encontro entre uma investigação inicialmente voltada aos jardins e uma paisagem já tomada pelo amarelo dos ipês e das lavouras de canola. A pesquisa deslocou-se então para as práticas de cultivo, incorporando sementes, mudas, ferramentas e trocas como formas de cuidar, plantar e compartilhar.
Claudia Hamerski
24 de agosto a 3 de setembro de 2025
Durante sua residência, Claudia Hamerski partiu do desenho como modo de observação do território. Nas caminhadas por Entre-Ijuís e pelo Sítio Arqueológico de São João Batista, sua atenção se voltou para a vegetação que atravessa fissuras, ruínas e estruturas construídas. Entre essas formas de permanência, os umbus presentes no sítio passaram a ocupar o centro da pesquisa, especialmente por seus troncos abertos, deformações e pela presença de outras espécies vivendo sobre suas superfícies.
De volta à Oficina Escobar, a artista desenvolveu um desenho de grande escala sobre tecido, construído em sucessivas camadas de grafite, carvão e pastel. Posicionada atrás do tecido, uma chapa de madeira recebia os resíduos que atravessavam a superfície, produzindo simultaneamente um segundo desenho, formado por manchas e vestígios do próprio processo. O trabalho resultou em Umbu_árvore-que-dá-de-beber, instalação composta pelas duas superfícies e desenvolvida a partir da experiência da residência.
Laryssa Machada
30 de julho a 8 de agosto de 2025
Durante sua residência, Laryssa Machada aproximou sua pesquisa sobre as imagens e ficções que participam da construção do Brasil das disputas históricas e das transformações contemporâneas do território missioneiro. Referências a guerreiros charrúas registrados por Debret encontraram novas relações com a paisagem das Missões e com os materiais ligados à atividade agrícola presentes em Entre-Ijuís.
Sacarias de sementes, fertilizantes, rações e outros insumos foram transformadas em uma armadura usada pela artista na construção de uma imagem realizada junto às ruínas de São Miguel Arcanjo. Fotografada a cavalo diante do sítio arqueológico, Laryssa sobrepôs diferentes tempos e formas de ocupação do território. O processo deu origem a Poder de Fogo, conjunto de trabalhos que reúne fotografias, objetos e outros desdobramentos desenvolvidos a partir da residência.
Tuane Eggers
6 a 15 de julho de 2025
Durante sua residência, Tuane Eggers voltou sua atenção para os líquens e fungos que se desenvolvem sobre as ruínas do Sítio Arqueológico de São João Batista. A partir dessas formas de vida, a artista passou a investigar outras temporalidades possíveis para o território, deslocando o olhar da ruína como vestígio exclusivamente humano para os organismos que encontram nela condições de existência.
Saídas de campo, observações ampliadas, fotografias e pequenas coletas foram reunidas progressivamente no ateliê, formando uma espécie de mesa de investigação. O processo deu origem à instalação A vida que resiste — e insiste em ser — a partir das ruínas, composta por objetos e fotografias impressas sobre tecido.